Após vivenciarmos as transformações do outono, damos início à época/festa da lanterna.
Com origem europeia, o evento é uma comemoração tradicionalmente celebrada em todos os jardins de infância Waldorf, sendo realizado aqui no Brasil na época que antecede as festas de São João e a chegada do inverno.
O evento
As lanternas usadas na celebração, são produzidas manualmente pela comunidade de pais e professores semanas antes, durante a oficina da lanterna. No dia da festa, as lanternas são entregues às crianças, que a conduzem iluminando o ambiente do anoitecer, criando um cenário mágico e encantador. Os pais auxiliam a contar a história através da encenação de um lindo teatro. A vivência é uma das principais datas no calendário do jardim.
Significado
A Festa da Lanterna traz consigo o convite para o recolhimento e interiorização.
Com a chegada do inverno, período em que toda a natureza adormece, vem também o convite à uma conexão maior com o nosso mundo interno. É um período em que precisamos acessar nossa própria luz, simbolizada pela lanterna. A lanterna é a representação do cálice que recebe e conduz a luz, iluminando os caminhos que precisaremos seguir.
A história traz uma mensagem inspiradora, de autoconhecimento e de descoberta dos nossos dons. Ela nos lembra da importância da introspecção para nos conhecermos melhor, e nos ajuda a desvendar nossos segredos mais profundos para que possamos colocá-los à serviço do bem da humanidade.
A menina representa o amadurecimento do nosso pensar, sentir e querer, bem como o reconhecimento dos nossos instintos e o domínio do nosso mundo interior. É com a sua luz, que ela nos ajuda a encontrar o caminho de volta.
A Festa da Lanterna é um verdadeiro alimento anímico, que nutre nossa alma!
Veja como esses símbolos aparecem na história que serve de inspiração para a festa.
“A Menina da Lanterna”
Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas.
De repente, chegou o vento e, com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.
– Ah! – exclamou a menina.
– Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro entre as pedras. Era um ouriço!
– Querido ouriço! – exclamou a menina.
– O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.
A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que se movia lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, grunhia e resmungava.
– Querido urso – falou a menina.
– O vento apagou a minha luz. Será que você sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.
Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava no capim. Espantada a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu a menina, e mandou que voltasse para casa, porque sua presença espantava os ratinhos.
Neste momento, surgiram estrelas, que lhe disseram para ir perguntar ao Sol, pois ele, com certeza poderia ajudá-la. Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.
Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a senhora:
- Bom dia, querida vovó! – disse ela.
- Bom dia! – respondeu a velha.
A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque fiava sem cessar, e sua roca não podia parar. Pediu apenas que a menina comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna e continuou a caminhada.
Mais adiante encontrou outra casinha no seu caminho: a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta e cumprimentou-o. Perguntou, então, se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não poderia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois, pegou sua lanterna e continuou a caminhada.
Bem longe, ela avistou uma montanha muito alta: “Com certeza, o Sol mora lá em cima!” – pensou a menina, e pôs-se a correr, rápida como uma corsa.
No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem respondeu, preferiu brincar com a bola e afastou-se, saltitando pelos campos.
Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.
- Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.
Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam, e ela adormeceu. O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.
Depois que o Sol voltou para o céu, a menina acordou.
- Oh! A minha lanterna está acesa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho.
Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.
A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina.
Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos.
A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar.
A menina acendeu novamente a luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar.
Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.
Assim a menina voltou feliz para casa.
Fonte: Federação das Escolas Waldorf no Brasil




Festa da Lanterna na Ciranda do Sol
A Festa da Lanterna é uma celebração cheia de ritos e símbolos, e desde cedo envolvemos nossas crianças nesse mundo das percepções sutis, com ricos significados, e observação plena da natureza e do ambiente interno e externo.
É uma festa tradicional e especial em todos os jardins Waldorf, que une nossa comunidade em um momento de conexão, marcando a chegada do inverno.
Neste ano, a Festa da Lanterna da Ciranda acontece no sábado, dia 3 de junho, às 17h, na Pracinha do Bairro Peixoto, em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói.